MANUSEAMENTO

O apicultor deve...


Olhar o estado das colmeias e os apoios das mesmas.

Fazer os reparos quando necessário.

Inspecionar as colmeias para verificar a presença da rainha, produção e o armazenamento de alimentos (mel e pólen).

Postura de ovos, presença de inimigos e doenças.

Tomar as providências necessárias para que o facto não influencie na produtividade da colmeia.

Trocar os quadros quando os mesmos estiverem deformados, negros ou até mesmo quebrados.

As rainhas, geralmente, rejeitam quadros do tipo citado acima, não realizando posturas neles.


Durante o manuseamento devemos evitar alguns procedimentos...


Perfumes e desodorizantes ativos.

Bater e sacudir os favos.

Esmagar as abelhas com o formão ou entre os quadros, elas libertam uma feromona de ataque que fazem com que as abelhas ataquem o alvo mais próximo.

Cores fortes (preto, vermelho, azulão), tais cores são desagradáveis para elas. Branco, amarelo claro e azul claro são as mais recomendadas, pois irritam menos.

Dias nublados, chuvosos e com ventos fortes. Esses dias esfriam as crias, devem ficar numa temperatura ambiente em torno de 30º a 35º graus.

Não mexer na colmeia muito cedo e nem muito tarde. Nas colmeias as abelhas que transportes o nectar e pólen, são as mais agressivas, por esse motivo devemos mexer na hora em que elas não estão. Isso ocorre dependendo da região, entre 10:00h e as 17:00h. 

Ficar na frente das colmeias durante o manuseamento. As abelhas entram e saem da colmeia sempre contando com as observações que fizeram em seus primeiros voos.

Nunca deixe o fumigador apagar.

 

Há milénios o homem tenta criar abelhas a fim de extrair seus produtos, principalmente mel e cera. Até o início do século era um costume, especialmente com as mansas abelhas europeias, alojar os enxames em caixas rústicas e cestos de colmo e deixá-los no quintal. No momento de coletar o material era necessário destruir praticamente todo o ninho. Os favos eram espremidos para se retirar o mel, e a cera, derretida. E a colónia via-se obrigada a reconstruir tudo novamente. Muitos naturalistas preocupavam-se em melhorar as condições de manejo das colónias tanto em relação ao homem quanto em relação a elas. Assim foram inventando vários tipos de abrigos para enxames, quase sempre sem muito sucesso.

Contudo em meados do século passado um professor de matemática americano, Lorenzo Langstroth, descobriu o chamado espaço abelha e idealizou as colmeias que se usa hoje em dia em certos países, chamadas Langstroth, standard, ou americana, com quadros móveis e muito confortável para as abelhas e para o homem. Estas colmeias são padrão praticamente no mundo todo. O que permitiu a racionalização da apicultura - técnica de criar abelhas do género Apis - foi a milimétrica organização do ninho. O espaço abelha é simplesmente o tamanho exato dos vãos que permitem a movimentação das abelhas por entre os favos e outras dependências do local onde está o ninho. Se o vão for maior, elas constroem favos, ou estruturas de cera; se for menor elas vedam com própolis.

Deixando este espaço adequado entre os quadros - que são quadros móveis colocados nas caixas - consegue-se forçá-las a construir seus favos dentro deles sem soldá-los entre si ou na caixa. A forma de conduzi-las a construir seus favos "corretamente" é colocando uma lâmina de cera no quadro. Elas encontram a lâmina e orientam-se pela mesma. Estas lâminas podem ainda ser impressas com hexágonos de maneira que as abelhas só precisam elevar as paredes dos alvéolos. As lâminas assim preparadas são ditas lâminas ou folhas de cera. As caixas usadas têm também medidas adequadas ao comportamento biológico das abelhas. Langstroth observou cuidadosamente as necessidades de espaço das famílias e conseguiu elaborar uma caixa com volume e dimensões praticamente ideais.


O sistema desta colmeia é baseado em 5 partes moveis...


Um fundo, base ou estrado da colmeia.

Um ninho, que é a caixa onde levam os 10 quadros.

Uma alça, que é uma caixa semelhante ao ninho, porém com metade da altura e onde só leva 8 quadros.

(Os quadros, que são de dois tipos, um para ninho e outro para alça, com metade da altura do primeiro.)

Uma tampa de agasalho, ou seja a tampa que cobre os quadros.

Uma segunda tampa, esta é de chapa para protecção da chuva.

A montagem é a seguinte, de baixo para cima: estrado, ninho, alça tampa agasalho e tampa da chuva. Entre o estrado e o ninho fica uma abertura na frente e uma plataforma de pouso e descolagem: é a tábua de voo. O ninho tem este nome por ser onde normalmente fica a rainha e a sua cria. A alça é onde deverá ficar o excesso de mel produzido e que poderá ser extraído pelo homem sem prejuízo da família. Em certas situações usa-se uma tela entre o ninho e a alça para evitar que a rainha faça postura fora do ninho: essa tela chama-se excluidora de rainha, que permite a passagem apenas das operárias. Esta disposição segue o princípio da natureza. A abelha sempre deposita o mel acima e ao redor do local onde ficam as crias, devido às qualidades térmicas deste, que serve como um cobertor.

Uma vez alojadas em caixas racionais e colocadas em apiários, as abelhas tornam-se uma responsabilidade para o homem que as recolheu, e devem ser amorosamente cuidadas e providas de tudo quanto for necessário para o seu bem-estar. Na natureza à medida que a colmeia vai crescendo, necessita de espaço. Um favo que serviu a várias gerações de abelhas torna-se, por vários motivos, impróprio para o uso, e então elas o abandonam. Enquanto houver espaço elas vão construindo novos favos. Uma vez ocupado todo o espaço disponível, toda a colónia parte para outro local.

Nas caixas racionais o homem pode cuidar para que não falte o precioso espaço para trabalho. Nas revisões periódicas podemos substituir os quadros impróprios por novos com cera nova ou podemos expandir a colmeia colocando novas caixas de ninho ou alças, dependendo do caso. E neste trabalho é preciso ter em mente que a abelha necessita do espaço para trabalhar. Uma colmeia que se vê sem espaço e, de repente, o recebe, logo demonstra sua gratidão através de um considerável aumento de atividade. O caso oposto também acontece. Se a flora está escassa, se não há alimento na natureza, o homem é obrigado a suprir as colónias que estão sob sua guarda. É então o momento de adequar o espaço da colmeia reduzindo-o retirando uma ou mais caixas. Em épocas de escassez a rainha restringe sua postura, o número de indivíduos diminui, e um espaço muito grande não pode ser cuidado por elas. Normalmente é necessário alimentar as famílias. Para isto existem equipamentos próprios, e dever-se-ia sempre usar mel puro para esta finalidade.

A manipulação das colmeias deve ser feita de maneira segura, decidida, harmoniosa e silenciosa. As abelhas são muito sensíveis a cheiros fortes, cores escuras, barulhos e desequilíbrios humanos em geral. Quem for trabalhar com elas deve estar equilibrado em todos os níveis do ser. As abelhas africanizadas do Brasil, em particular, são bastante agressivas, ou melhor, defensivas, e com elas é preciso muito cuidado. Existem várias ferramentas e apetrechos apropriados ao manejo das abelhas. Para começar o apicultor deve estar corretamente vestido. É indispensável o uso do fato macaco com máscara, luvas e botas. Além disso ninguém deve ir ao apiário trabalhar sozinho.

O início do trabalho dá-se um pouco de fumo no interior da colmeia. Isto é feito com o fumigador. O fumo deve ser limpo, denso e frio. Seu objetivo é causar nas abelhas um certo sufocamento e a ilusão de um incêndio. Diante desta ameaça elas se preocupam em arejar e casa e preparar a fuga, enchendo-se de mel. Além de ficarem distraídas, com o estômago repleto de mel ficam impedidas de usar o ferrão eficazmente. A quantidade de fumo deve ser o mínimo para mantê-las controladas, e alguém deve ficar encarregado do fumigador o tempo todo. Uma vez fumigada a colmeia, abre-se lentamente a tampa superior com o raspador de apicultor, deixando inicialmente uma pequena abertura para que as abelhas acostumem-se com a luz exterior, ao mesmo tempo que se lança mais um pouco de fumo por essa abertura.

A sequência do trabalho dá-se com naturalidade, levantando as caixas que forem necessárias e examinando o interior das mesmas, dependendo do objetivo da manipulação (revisão de rotina, revisão de emergência, extração de mel, etc.). A observação do movimento nos quadros sempre dá indícios claros de como está o interior da colmeia. Por exemplo, seja uma colónia forte ou fraca, se há rainha presente, o movimento é ordenado, embora seja mais ou menos intenso. Assim sendo só se deve abrir uma colmeia se for época de revisão regular ou se for notado algum comportamento estranho nos quadros.

 

O enxameamento...


Nada mais é que a saída de parte das abelhas para se fixarem em outro lugar, observa-se que tal fenómeno irá ocorrer quando a colmeia apresentar as seguintes características:

Movimentação enorme de abelhas dentro e fora da colmeia e uma quantidade acima do normal de zangões.

Muitos alvéolos de rainha nos quadros do ninho.

Aglomerado de abelhas do lado de fora da colmeia formando uma espécie de "barba" de abelhas.

Apesar de a enxameação ser um transtorno para o apicultor, pois compromete na produção da colmeia, não é para as abelhas, uma vez que faz parte do instinto de perpetuação da espécie.


Tal fenómeno pode ser acelarado devido às seguintes condições...


Falta de néctar e pólen no campo de pastagem.

Temperatura muito elevada ou muito baixa no interior da colmeia.

Favos velhos e em estado precário.

População alta.

Falta de espaço para a rainha colocar as suas posturas.

Uma parte das abelhas de uma colmeia, em determinadas condições (colmeia muito populosa por exemplo), pode abandonar sua morada à procura de novo abrigo e constituem o que se denomina de enxame viajante.

O enxame é a família migrante composta, via de regra, por uma rainha acompanhada de uma boa parte das abelhas operárias e zangões. Os enxames em geral são mansos, porque estão com as atenções voltadas para a sobrevivência da família e a guarda da sua rainha. A agressividade é esporádica e ocorre em situações em que as abelhas se sentem agredidas ou em situação de risco. As abelhas quando estão enxameando levam uma reserva de mel nos papos e não conseguem dobrar o abdómen para aplicar o veneno.

De vez em quando elas pousam para descansar, é quando se amontoam em um canto formando um "cacho" em torno de sua rainha e se abrigam em locais como cobertura de garagem, árvores e outros locais. Algumas operárias ficam voando à procura de abrigo definitivo, que lhes ofereça protecção total, como forros de telhado, porões, cascas, muros ocos, móveis vazios e abandonados entre outros. Quando encontra, todas imigram para este local e começam a construção dos favos.


Desdobrando as colmeias...


Quando uma colmeia está prestes a enxamear ou quando desejarmos aumentar o número de colmeias no apiário, podemos fazer um desdobramento. Que deverá ser feito, se possível, antes ou depois das grandes floras para não comprometer a produtividade.


A maneira mais fácil de fazermos isso é:


Colocar uma colmeia vazia perto da colmeia que vai ser dividida.

Colocar na colmeia vazia um quadro contendo crias contendo ovos, um com cria aberta que contenha ovos do dia (ou alvéolos reais) um de crias fechadas e um outro contendo pólen e mel, retirados da colmeia a ser dividida.

A rainha deve ficar na colmeia a ser dividida, e não na que esta vazia.

Os quadros com pólen e mel devem ficar nos lados da colmeia e as crias no centro.

Preencher com quadros vazias os quadros retirados da colmeia mãe.

Levar a colmeia mãe a uma distância de no mínimo dois metros da colmeia nova.

Para manter a ordem e harmonia no apiário, é necessário dar condições às colónias de se manterem fortes. Portanto sempre se deve estar atento com a qualidade da rainha presente em uma colónia. Uma rainha é boa se seu padrão de postura é regular e constante. Caso seja necessário, o homem deve intervir, pois às vezes uma família não possui iniciativa suficiente para substituir sua mestra. Neste caso uma das técnicas mais simples é a seguinte: localiza-se a rainha fraca ou velha, retira-a da colmeia e introduz-se quadros com ovos e crias de até um dia retirados de uma família forte. Notada a ausência da abelha mãe, as filhas vão logo tratar de puxar um ou mais alvéolos reais, e possivelmente usarão das crias introduzidas para gerar novas rainhas. Há outras técnicas como a introdução de rainhas já nascidas ou mesmo fecundadas, união das famílias fracas, etc.


Antes de instalar o seu apiário, deverá ter em atenção o seguinte...


Existência de uma boa flora apícola na vizinhança. Isso garante uma boa produção de mel durante o ano.

Existência de água potável de boa qualidade. Caso não exista você terá que fazer um bebedouro.

Estar a suficiente distância de fontes suscetíveis de causar contaminação, como centros urbanos, autoestradas, zonas industriais, aterros, incineradoras de lixos, etc.

Local de fácil aceso e muito alto. Para uma maior comodidade do apicultor e não sobrecarregar as abelhas quanto a colheita do néctar.

Colocar a colmeia em cima de cavaletes protegido por bolsas de água, evitando assim o ataque de formigas e outros animais de pequeno porte.


Tente evitar ao máximo locais que apresentem as seguintes condições...


Ventos fortes. Atrapalha a vida das abelhas, assim como altera a temperatura no interior da colmeia.

Locais próximos de padarias e fábricas de doces.

Evitar que as abelhas saquem tais lugares, evitando assim possíveis transtornos.

Local muito húmido, sombrios e sujeito a enchentes. Evita a proliferação de doenças.

Trânsitos de pessoas e animais. Evitar acidentes.

Para evitar acidentes dê uma distância de cem metros destes locais.

Lugar com luzes acesas durante a noite, pois a abelha é atraída se chocando contra a lâmpada até se machucarem.

Não colocar no apiário um numero maior de colmeias do que a capacidade suportada pela flora apícola.

Evitar a saturação das pastagens apícolas.

Não existe uma palavra final a respeito do lugar ideal onde deva-se colocar uma colmeia. Em Paris, existe um apiário que fica em cima do teatro municipal. É lógico que seu rendimento seria sensivelmente melhor se estivesse localizado numa zona rural. Se o apicultor usar de bom senso ele escolherá um lugar bom para um futuro apiário.